Em plena TPM e a alguns dias de mais um aniversário dos trinta e poucos, eu tenho o direito inalienável de assistir a um comercial comemorativo da Melissa e ficar comovida. Foi quase um golpe baixo. Então essas lagriminhas, que inundaram abundantemente os meus olhos, ficam desde já meio que desculpadas. Afinal, eu como boa criança dos 80’s, também tive zilhões de Melissas coloridinhas e até lembro do jingle “Primeiro: a melissa furadinha, depois veio a ciganinha e depois veio a zig-zag, zig-zag” *suspiros*
Feita a viagem no tempo e aterrissando em pleno final da primeira década do século XXI (ufa), solto o verbo e digo que hoje em dia acho a Neo-Melissa um sapato que não me convence como item fashion... Ou vai me dizer que andar com um rato de plástico colado em cima do seu pé é atitude? Um hype? Um must have? Porque cá entre nós, pior do que isso só mesmo uma sandália Croc® amarela. Isso sem contar que a Melissa dá um baita chulé. Se bem que agora não sei se o chulé era por culpa da sandália plástica ou coisa da infância mesmo. Só sei que o pé ia suando e ia juntando uma lama no solado que fazia flop flop enquanto a gente andava...
Bem, se você começou achando que esse seria mais um texto açucarado, nostálgico e ameno desse blog (dessa vez patrocinado pela Grendene) e acabou de dar com a cara na porta, não reclame. Porque avisei com todas as letras lá em cima, no primeiro parágrafo, que estava na T-P-M, sim? E em maiúsculas, nada de letras miúdas, tipo contrato abusivo.
Pois fique sabendo que é exatamente assim que eu fico nessas horas... Começo toda doce, sentimentalóide e de uma hora para outra viro um Monstro do Lago Ness. E o mesmo ser (inanimado ou não, sobretudo não) que me desperta emoções lacrimosas e meigas, de repente, não mais que de repente, vira o alvo de toda a minha ira. Fúria mortal mesmo. Depois passa e volto a ser uma pessoa domesticada e fofa.
Enquanto isso o meu humor fica na gangorra dos hormônios. Subindo e descendo, feito a maré. Atenção vestibulandos: esse post foi só para ensiná-los que a maré vermelha é um desastre ecológico...
PS nº 1 – Para você, caro(a) leitor(a), que duvidou que existia no planeta uma Melissa decorada com um Don Raton, Foto da coleção Love Pirates -Verão 2010
PS nº 2 – Rufem os tambores! Com vocês: eu, minhas bochechas e a Melissa Ciganinha (destaque para a figurinha do chiclete Ploc garbosamente guardada no cinto do vestido).
PS nº 3 - Não, eu não inventei esse jingle, ainda que a única pessoa do planeta que consiga lembrar dele seja eu. Desculpa, tenho memória de elefante, ou melhor (ou pior?), de mastodonte que é um bichinho assim mais da minha geração.
PS nº 4 – Eu não odeio as Melissas. Só odeio com toda força as que tem outro nome de batismo.
PS nº 5 – Eu usaria as Melissas by Vivienne Westwood
PS nº 6 - Acabei de lembrar que eu tenho mania de reinventar siglas. TPM, por exemplo, pode significar Tenha Paciência Manu.
Mudança de hábito! Calma, não entrei num coral e MUITO MENOS num convento... Apenas tenho recebido a visita dessa tal de maturidade com uma certa freqüência ultimamente e ela tem me sugerido, fazendo a linha boa amiga, tomar um novo caminho. Desde o 2º ano de faculdade ficou claro qual seria a minha ambição profissional: a magistratura. Comecei estagiando na Justiça Federal há 12 anos e desde então essa tem sido a minha casa. Advogar não é a minha praia. Para começar, não gosto de pedir nada, ainda que para outrem...
Só que infelizmente vestir uma toga é mais difícil do que usar um biquíni da nova coleção de verão. E fui adiando o meu sonho, enebriada muitas vezes por outras atmosferas oníricas erigidas de tijolos etéreos fabricados à base de felicidades instantâneas.
A verdade é que nunca fui muito afeita aos sacrifícios. Nunca soube dizer não aos meus desejos emergenciais. Basta que eles falem comigo de uma forma mais imperativa que eu mansamente aquiesço: “Sim, amo”.
Realmente, não consigo dizer não ao sol de verão, à série preferida na TV, à balada até altas horas, à conversa fiada no MSN, ao telefonema que faz o coração disparar...
Só que na vida capitalista há aquela tal da lei do “no free lunch”... Aliás, na sinceridade, até hoje vinha conseguindo burlar muito bem essa regra, bancava a capoerista cheia de ginga e saia sempre pela tangente numa boa, afinal, como cantava o Poetinha “Capoeira que é bom não cai e se um dia ele cai, cai bem”.
Só que não dá para viver toda vida sem sacrifícios. Ou melhor, até que dá para viver, mas não tão bem quanto poderia se abrisse mão de pequenas alegrias em troca de um bem maior, ainda que futuro e incerto
Fora que me dava um certo conforto pensar: “nunca consegui, mas também nunca tentei efetivamente, né?”. Só que chegou a hora de bancar o risco e tentar. Para partir em busca do pote do tesouro além do arco-íris, terei que começar dizendo não ao computador e a TV a cabo. Se isso vai dar certo? Não sei. Como disse, é apenas uma tentativa. Também, em princípio, não será nada 100% radical. Não pretendo nazistamente me impor a vida num campo de concentração nos estudos. Tentarei escrever aqui no mínimo uma vez por mês (como parte do meu exercício de manter uma certa constância na rotina) e vez ou outra estarei conectada (espero que MUITO raramente).
Thiago de Mello fala numa poesia que está entre as minhas favoritas: “É sonhar, mas cavalgando o sonho e inventando o chão para o sonho florescer". É exatamente isso que vou arriscar fazer a partir de agora. Pode me ajudar a colocar a sela?