Não é fácil ser mulher. Imagino que ser homem também não seja mole (sem trocadilhos), mas é que o mundo feminino é mais cheio de detalhes e por isso muito mais complexo.
O pior dessa guerra é que lutamos sozinhas. Não há um time. Cada mulher é uma guerreira solitária que se pinta (de rímel e batom) na hora de ir para a batalha.
A tal da desunião feminina é, pois, triste verdade. Eu mesma, infelizmente, conheço de perto desde há muito esse problema. Foram tantas as vezes em que fui perseguida por psicopatas de saias que não gostavam de mim, sabe-se lá por qual motivo, e traçavam como meta de vida infernizar os meus dias...
Não pensem que é exagero. Uma dessas, num passado recente, fez o que pôde para me tirar do sério. Foi aí que uma amiga minha que também a conhecia me falou: “Você não percebe? Você é a Branca de Neve da vida dela. Ela pergunta ao espelho e ele responde: ‘teeeeeeeeem a Manuella’!”. A partir desse momento, cada vez que ela tentava me fazer tropeçar, eu me equilibrava no melhor estilo Matrix e ainda levantava mais forte e levava a melhor.
Sim, não é fácil ser mulher. Se por um lado cabe aos homens o trabalho pesado da conquista para descolar o telefone da gata, por outro, só uma mulher sabe o desespero de esperar pelo mesmo telefone que não toca. Toca na alma, juro. E o carinha, no mais das vezes, nem se toca.
Esse mundo cor de rosa, às vezes não tem nada de cor de rosa. Em alguns momentos é bem cinza ou mesmo se cor. Nenhum homem sabe como enoja e humilha, por exemplo, o assédio de um superior hierárquico. Vivi isso na faculdade com um professor ridículo e sofri calada. Uma mistura de vergonha e medo da qual não gosto nem de lembrar.
“Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra”, cantava Rita Lee na abertura da TV Mulher (Xiiiiiii, acho que entreguei a idade). E cada uma de nós sabe como é duro ficar presa alguns dias do mês ao Sempre Livre, com direito a receber a visita íntima da TPM. Eu mesma choro que é uma beleza nessa fase, qualquer propaganda de margarina já me deixa comovida.
Estou te falando, não é mesmo fácil ser mulher. Mas as maiores conquistas são justo as mais difíceis. É muito mais honroso escalar o Aconcágua do que subir uma ladeira. É por isso que no Dia Internacional das mulheres quero homenagear duas guerreiras da minha família.
A primeira delas, ainda aprendiz, é a Clara (que acabou de sair do ovo), minha mais nova sobrinha e também futura afilhada. Nascida ontem, começa agora a sua jornada por essa corrida de aventura chamada vida.
A outra homenageada é veterana e já chegou ao topo da montanha. Enfrentou diversas adversidades nessa subida, mas seguiu sempre em frente e de cabeça erguida.
Falo da minha Vó Neusa que para surpresa de todos, contrariando todas as expectativas, conseguiu voltar para casa (em home care) após longos dias de coma, UTI e sofrimento de todos.
Ela já chegou ao cume da montanha e fincou a sua bandeira. E essa bandeira é a família Coelho da qual tanto me orgulho. É por isso que Deus fez esse favor de prolongar a sua estada na Terra. Sabe como é, deu muito trabalho pra ela atingir o pico, nada mais justo agora do que deixá-la aqui mais um tempo para desfrutar da paisagem.
Hoje é dia de vocês: Clara e Neusa Coelho. Fé, meninas!
postado por Manuella às 1:58 AM
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