Shoppings cheios, muita neve artificial, velhinhos aposentados aproveitando para fazer um bico de Papai Noel, as TVs mostrando os horrores da multidão na 25 de março, musiquinhas repetitivas cheias de tilintar de sinos... Começou a insanidade da fase pré-Natal! Mas nem tudo está perdido, ainda não ouvi a Simone cantando: “Então é Nataaaaaaaaaaaal e o quê você fez?”
Mas o mais impressionante é que, cinismos à parte, eu curto essa época do ano. Gosto da licença poética que ela dá para as pessoas serem bacanas. Tipo, você foi um bom filho da mãe o ano inteirinho, mas vê uma senhora trôpega equilibrando mil embrulhos e corre para ajudá-la.
Acho que no fundo, ficou no inconsciente de todo mundo aquela história de que tinha de ser um bom menino para ser atendido pelo Papai Noel. O moleque batia nos coleguinhas, tirava nota vermelha, xingava a professora, judiava da irmãzinha... Mas nos últimos minutos do segundo tempo recebia auréola, asas de anjo e virava um santo (do pau oco). Era época de escrever pro bom velhinho. Sabe como é, vai que ele mandasse os duendes darem uma fiscalizada...
Eu mesma não posso garantir que eu fui uma boa menina em 2008. Não dei passagem a inúmeros carros no trânsito, por exemplo. Armei uns dois ou três planos maquiavélicos infalíveis (que, obviamente, deram errado, maldita síndrome de Cebolinha). Fiz comentários ácidos matadores, não soube perdoar...
Mas também tive meus momentos de bondade . Aquelas situações em que a Má-nuella dava passagem e eu incorporava a Boa-nuella. Não sei se fazendo as contas, noves fora zero, o meu saldo é positivo. Por via das dúvidas, vou dar um sprint nesses metros finais da corrida sendo ultra-mega boazinha. Quase assim uma Sandy. Será que eu convenço o Papai Noel e o meu presente no sapatinho fica garantido?
