Templates da Lua


Essa página é hospedada no Blogger. A sua não é?


Sábado, Novembro 22, 2008

Woody Allen salva. Salvou alguns dias de bobeira em Sampa e hoje me ajudou a fugir do turbilhão de um dia de pré-verão na capital da alegria. Estava tudo certo para a praia, mas não estava no clima solar e quis fugir sozinha para o escurinho do cinema. Gosto tanto disso... Eu, a sala (de preferência quase vazia – só uma única vez tive a suprema graça de tê-la 100% só para mim) e a história. A partir dum determinado momento, a sala e eu deixamos de existir e fica só a história. Hoje teria sido assim quase todo o tempo, se não fosse uma idiota mal-educada que atendeu o celular e me trouxe de volta à realidade sem escalas, justo no clímax da trama. Queria o poder de desintegrar pessoas. Enfim, voltando, lá estava na telona a voluptuosa Barcelona para as férias de Vicky e Cristina. Já que não deu para passar as minhas em terras Catalãs, pude viajar junto com elas. Fora que quando eu, finalmente, for de verdade, vai ter uma graça a mais, porque vou andar pela cidade cantarolando a musiquinha do filme... So perfect!
Sobre a trama, o velho Woody abriu mão do recorrente triângulo de suas histórias e partiu para a dança do quadrado amoroso. Aliás, quadrado não, hexágono, se contarmos o noivo traído e o colega de espanhol. Se para os homens, acredito eu, o ponto alto da trama deve se dar no fetichista romancinho entre Cristina e Elena (num threesome com Juan). So obvious. Para mim o que encantou foi descobrir-me espelhada em traços das personalidades de todas. Pela primeira vez não houve uma identificação imediata, uma torcida às escâncaras. Para minha tristeza, sou meio medrosa e controlada como a Vicky. Também sou uma buscadora insatisfeita incurável como a Cristina. Além de ser dramática feito a Elena, ainda que, se comparada a ela, o seja em doses homeopáticas. As bandeiras de louca que dei na minha vida foram fichinha junto das dela, rs.
Se por um lado, ter essa personalidade cheia de vieses encanta as pessoas. Por outro, torna-se para mim muito difícil de administrar. Por exemplo, tenho a alma mambembe. Gosto de refletores, de me expressar através da escrita, fazer trabalhos manuais, confeccionar (e encarnar) fantasias, tenho uma criatividade ilimitada... Só que profissionalmente busquei justo o caminho oposto. Sabe Deus o porquê, sinto-me fisicamente dependente da segurança de um cargo público. Em mim a Cristina, sempre em busca da sua arte, convive simultaneamente com a certinha Vicky, afeita às convenções sociais. Mas nesse ponto, sinto-me confortável com essa dualidade. Vinícius só deixou a carreira diplomática porque foi expulso. Assim, nem o Poetinha, quando, diga-se de passagem, já era ilustre e aclamado, abriu mão por livre espontânea vontade do seu cargo. Afora outros poetas barnabés de carteirinha como o Drummond. Estou bem acompanhada nesse particular...
Ainda sobre o filme, não posso deixar de mencionar los hombres. De saída, reina o garanhão absoluto: Juan Antonio. Não acho Javier Bardem propriamente bonito, mas ele vai além disso, é hipnotizante. Aqueles olhos de cachorro de papel de carta são muito sedutores (desde “O Amor nos Tempos do Cólera” já havia me rendido)... Mesmo ele tendo se envolvido com as três, o personagem dele no filme não pode ser chamado de cafajeste. Não mesmo. Ao contrário, ele joga sempre às claras, numa sinceridade desconcertante. Acho que o mundo seria mais feliz se as intenções das pessoas fossem sempre reveladas nesse grau de clarividência, ainda que num primeiro momento fosse mais duro de encarar. Mas eu também não sei se eu conseguiria dar vazão a uma história com ele. Bancaria o Leão da Montanha e... Saída pela esquerda! Conheço Manuellinha. Ôh pessoa frouxa, sô. Vive etérea voando pelo mundo da lua, mas adora saber que o chão está bem debaixo dos seus pés. Reservo-me sempre à minha condição de zagueira quando tentam me tirar a bola. Prefiro me resguardar, a correr o risco do: Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia (Nietzsche?). Mas quando chega um atacante que me vence nos dribles, agradeço em silêncio.
Os outros homens do filme fazem o gênero bem sucedidos moços de família. Sai a camisa amarrotada e suja de tinta de Juan Antonio e entram em cena as Lacostes e as Tommy Hilfigers. Homens assim, a menos que sejam genuinamente chatos, são reconfortantes como “Nescau Prontinho”. Só que no geral falta-lhes nitroglicerina.
Vejamos, o cara não pode ser um conquistador porra louca e nem também o racional workaholic. Gosto dos que trazem a centelha do inesperado. É raro, mas existe (Gracias a Dios). Fui escrevendo e me estendi demais. Confesso que a minha Vicky queria deixar o texto na segurança da pasta “Meus Documentos”. Depois de demorada deliberação, ela saiu limpando algumas partes sob a desculpa de que estava excessivamente longo. A minha Cristina tomou a tesoura de censora das mãos dela e resolveu jogá-lo na web. E a minha Elena... Bem, a minha Elena engaiolada... Olha, ela teria escrito MUITO mais!


postado por Manuella às 11:19 PM
|

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

Nunca fui especialista em realidade. Tenho um mundo muito grande dentro de mim e às vezes me sinto bem pequena diante do mundo. Acabo de retornar ao planeta dos “adultos cheios de obrigações cotidianas” e me sinto fraca. Férias só deviam acabar quando a gente era criança, porque a despedida delas vinha com dois bônus maravilhosos: material escolar novo e reencontro com os colegas.
Lembro da família toda pelos corredores da Mesbla. Cadernos novinhos em folha, apontadores, plástico para encadernar os livros, hidrocores e a cereja do bolo: a caixa de lápis com 24 cores (o rosa e o verde-água, meus preferidos, eram utilizados no decorrer do ano com parcimônia e protocolo quase religioso). Os livros eram comprados no próprio colégio num stand montado na sala de música que se transformava em livraria improvisada.
Eu pegava o material recém-adquirido e espalhava por todo o chão do quarto. E sabe o que eu fazia então? Cheirava coisa por coisa. Adorava sentir o perfume do papel novo, o plástico então, inebriava as minhas narinas, o odor adocicado da madeira dos lápis... Se eu fecho os olhos chego a senti-los outra vez...
Mochila arrumada de véspera, uniforme separado, ia dormir sonhando com o dia seguinte. Quando chegava no colégio era aquela euforia. Viajou para onde? Ganhou um cachorro? As novidades eram tantas que nem dava tempo para sentir saudade dos dias de férias.
Agora não. Não há uma troca justa. No câmbio do dia, entrego pores-do-sol e recebo uma pilha de processos e uma sala sem janelas. A preocupação já não está na alta do Dólar, nem na convulsão dos mercados, eu é que estou em crise. Preciso de uma caixa de lápis de cores de madeira perfumada para colorir meu dias.

postado por Manuella às 10:51 PM
|

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

15 dias de férias. Já tinha imaginado o meu roteiro hollywoodiano. Se ano passado o primeiro filme da série havia sido rodado no sur del cone sur (ui), a segunda parte da saga seria gravada às margens do mediterrâneo. Vivi já está há uns bons meses em Barcelona fazendo “laboratório”. Era só eu ir encontrá-la, para juntas voltarmos a aprontar por esse mundão besta sem cerca e nem porteira. Mas o estúdio Manuella Pictures acabou de comprar a sua sede na Bahia (não sou mais homeless) e ficou descapitalizado. Sem contar a alta do dólar e a crise dos mercados... 15 dias de férias e a Manuella Pictures já estava vendo o seu projeto de longa metragem se transformar num projeto de 1 minuto. Foi aí que a sua equipe de criação resolveu transformar o blockbuster em filme independente de baixo orçamento. Saiu a locação Barcelona e entrou a Boa Terra mesmo. Mas o filme não tem perdido em diversão. Se não podemos contar com a interpretação de Vivi, entraram em cena novos atores talentosos. E esse roteiro tem de tudo: suspense, aventura, comédia, terror... Fomos passar um final de semana em Praia do Forte e acabamos as três moçoilas (Eu, Flávia e Pat) hospedadas em um Centro Espírita, pânico. A aventura de andar de Jet Ski com Iara, Adriana e Neto acabou virando comédia, o danado do jet como meio de transporte se revelou uma excelente poltrona, não andava nem com reza braba!!! Já o mocinho dessa história tem sido o Bronzeado. Ele que numa espécie de cruzamento de Don Juan com James Bond tem alisado a pele de todas as garotas. As próximas cenas serão gravadas em Morro de São Paulo. Esse filme tem tudo para ser um sucesso. Com muito Sundown vamos ganhar o Sundance. Dança sol na minha pele!!!
postado por Manuella às 10:24 AM
|