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Sábado, Dezembro 29, 2007

Estava no cabeleireiro dando aquele upgrade na auto-estima para iniciar o ano novo com o visual em dia. Aproveitei o embalo para fazer as unhas dos pés e das mãos.
Poucas coisas me deixam tão pouco a vontade num salão de beleza quanto submeter-me ao trabalho de manicure e pedicure. Claro que não é nada comparável a uma depilação, mas sempre fico meio sem saber o que fazer.
Primeiro porque a minha mão não contribui. Não tenho dedos longos e finos como os bem-aventurados pianistas. Sem contar que a minha unha parece de criança, um desastre.
Lembro com clareza a data da minha iniciação nesse ritual macabro da extirpação das cutículas. Era o dia do meu baile de debutante. Fui mandada bem cedo, sozinha, para o salão. Conduzida pelo “Seu Manoel”, motorista que trabalhava para a gente naquela época, não tive a companhia de nenhuma mulher da minha família para explicar quais seriam os procedimentos.
A manicure foi chegado com aquela porção de apetrechos. Eram alicates, potinhos com água, algodões, palitinhos, toalhas... Pediu a minha mão direita. Molhou na água, retirou, enxugou e começou a descarnar. Feito isso passou uma base e depois pintou com um esmalte bem clarinho como eu havia pedido. Então ordenou imperativa: molhe a mão. Eu prontamente enfiei meus dedos no potinho. O esmalte recém pintado enrugou todo. Ela me fitou com olhos ardentes de ódio e berrou: ERA A OUTRA MÃO!
Foi uma péssima estréia na arte dos esmaltes. Esse fato deve ter deixado algum trauma obscuro. Só sei que até hoje tremo nas bases (e nos esmaltes também) quando tenho de oferecer as minha unhas em sacrifício.
Até porque, nunca sei responder às perguntas complexas que me são feitas, tipo: “Qual a cor do esmalte que você vai usar?”. Tenho certeza de que faltei a importantíssima aula no colégio em que foi passada toda a paleta de cores da Coloroma e da Risque.
Vejo as minha amigas discutindo com uma desenvoltura: “São duas camada de Carmim com uma camada de Rebu”. Para solucionar o problema, decorei um único nome de cor de esmalte: “Paris”. Toda as vezes é sobre ele que recai a minha escolha e sempre morro de medo de que não tenha no estoque da manicure. Olho a mocinha com aquela expressão decida e falo: “Paris”. Um passo em falso e eu posso ser desmascarada como uma completa desconhecedora do assunto. Vexame absoluto.
Vencido esse stress inicial. Olho para as minhas unhas já prontas, com direito a óleo secante e tudo. Lindas, brilhantes...
Percebo que é a mesma coisa com o ano novo. Todo dia 31/12 é como se passássemos acetona e limpássemos as velhas marcas. No dia 01/01 pintamos delicadamente. Depois temos o maior cuidado nos primeiros dias para não descascar.
Só que com o passar do tempo o esmalte vai trincando. Os pedaços vão ficando por aí, ou quem sabe o pior, a unha inteira se quebra.Quando nos damos conta, já estamos loucos para passar acetona de novo e começar tudo outra vez.
Espero que o esmalte do ano de 2008 dure bastante tempo impecável. Caso haja marcas (infelizmente elas sempre existem) que sejam bem pequenas. Até que 2009 desponte e chegue a hora de repintar o ano, apenas porque a unha cresceu e não por ter se quebrado. Aí direi dessa vez realmente decidida: “Paris”. Duvido que haja nome de esmalte que combine mais com Ano Novo do que o da Cidade Luz que cunhou a palavra Réveillon.

postado por Manuella às 3:40 PM
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Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Salvador tem a característica de transmutar o religioso em profano. Essa foi a receita do seu extenso calendário de festas de largo que se inicia em dezembro com homenagem a Santa Bárbara e termina com o Carnaval. Aliás, é esse o ápice do culto ao mundano, com milhares de pessoas tomando as ruas numa celebração extravagante a tudo aquilo que há de mais profano.
Já para o aniversário do Salvador, falo Daquele que foi pregado na cruz, fizeram o caminho inverso. Pegaram uma festa profana e a transformaram em feriado religioso.
Assim, o Bispo de Roma pongou nos rituais pagãos que celebravam o solstício de inverno, o Yule que é o momento do nascimento do filho da Deusa, determinando que esta fosse a data de vinda ao mundo da criança prometida do catolicismo.
Na verdade, ninguém sabe a data exata de nascimento de Jesus. É por isso que eu gostaria que não houvesse um dia “formal” de Natal.
Eu sei que é bem contraditório. Eu que vivo pregando aos quatro ventos que adoro as datas comemorativas, quero de repente acabar com a principal delas para o mundo ocidental?
Calma, não é nada disso. Quem sou eu para terminar com a festa do menino Deus. A minha proposta seria outra. Já que o natal é uma data aleatória, devia ser dado a cada indivíduo o direito sagrado de escolher o seu dia de Natal. Qualquer um dentro dos 12 meses.
Ia ser muito mais legal. O ano todo ia ter alguém vivendo aquele típico estado “Jingle Bells” de graça. Não ia haver engarrafamento ou falta de estacionamento nos shoppings... Sem contar que algumas pessoas, mesmo sem saber disso, iriam comemorar o Natal precisamente no dia em que ele aconteceu.
Estava pensando com meus botões, esse ano que está acabando tive muitos dias felizes. Aposto que um deles deve ter acontecido no dia em que o menino da manjedoura estava apagando as velinhas lá no céu.
Acho que deve ter sido Natal esse ano quando meu irmão me mandou emocionado pelo celular a foto da sua pequena que acabava de surgir para a vida. Quem sabe foi Natal quando Catarina me falou pelo telefone: “Titia eu te amo, tô com saudades”. Ou então quando assisti a Miss Saigon na adorável companhia dos meus pais... Será que foi quando eu estava recitando uma poesia? Ou também pode ter sido na data em que avistei do barco Buenos Aires se aproximando...
Nunca vou saber, apenas tenho certeza de que nesses dias Deus estava sorrindo. Espero que no ano que vem haja ainda mais momentos assim para todos nós... Com Deus (menino ou homem feito) às gargalhadas.
Quanto ao dia 25 de dezembro que está chegando, confesso que vou festejar. Afinal, Jesus pode ter nascido em qualquer dia, inclusive neste. Por via das dúvidas, não vou ser eu a única a dar um bolo num dia que bem pode ser o do bolo do Criador.
Quer saber de uma coisa, feliz Natal a todos, todos os dias.

postado por Manuella às 2:04 AM
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