As curtinhas da Manu (Calma, estou falando de notícias, não de mini-saias)
Há tempos não escrevo aqui. Acumulou! Se fosse a mega-sena, o prêmio já estaria em dezenas de milhões... O pior é que não foi nem por preguiça. Fiquei aguardando que me mandassem algumas fotos e os assuntos foram ficando mais engarrafados do que trio-elétrico na Av. Carlos Gomes em plena terça-feira de carnaval na boa e velha Salvador... Vamos então às curtinhas!
* Feriado em Sauípe – O feriado foi com a família no resort Renaissance . O esquema era all inclusive, traduzindo: enfia o pé-na-jaca de com força! Foi tão maravilhoso... O sol deu uma cooperada, as piscinas, dado aos seus tamanhos “diminutos”, correspondiam a pouco mais de 80% de toda água potável do planeta e o mar, assim como os coqueiros, emoldurava o cartão postal. Achou que não podia ser melhor? Errou! Podia sim... E foi! Porque além de tudo teve show da Banda Reggae Olodum na Vila Nova da Praia (espécie de vilinha de pescadores que existe lá e é totalmente made in Projac, ou seja, 100% cenográfica). Eu me acabei!!! Só me esqueci de um detalhe, na época em que eu dançava Requebra (“Em baixo, em baixo, em baixo, ôh, ôh, ôh”) tinha praticamente a metade da minha idade atual, fui tentar repetir a coreografia e... Ai minhas pernas, minhas costas, meu pescoço...
* Férias em Salvador – Essa cidade é minha Shangri-lá. Pena que a era moderna trouxe os fingers (sanfonas) para o ex-Aeroporto 02 de Julho. Assim tenho que passar por dezenas de túneis articulados e corredores, até chegar na saída do aeroporto e poder finalmente sentir a brisa da terrinha. Na época das escadas nos aviões esse efeito curativo vinha para mim de modo imediato. Droga! Não consigo mentir e vou ter de assumir que é desde antes de eu vir morar aqui em São Paulo que o aeroporto de Salvador opera com fingers... Mas achei tão linda essa imagem de eu saindo da aeronave e parando na escadinha, inspirando profundamente, como se pudesse absorver através das narinas toda a magia da saudosa Bahia... Vamos fazer de conta que era assim, licença poética! E por falar em poesia... Bem, isso é assunto para um novo tópico das curtinhas.
* Quando a poesia chega – Dia desses estava assistindo ao programa do Jô quando ele anunciou que uma das pessoas entrevistadas seria a atriz, cantora e poetisa (ufa!) Elisa Lucinda. Tive que aturar a entrevista anterior que seria com um cara que adora macacos, ansiosa para que acabasse logo, até que... Dormi! No outro dia quando eu acordei e vi a TV ainda ligada morri de raiva. Corri para o You Tube, para o site do Programa do Jô... Nada de achar a entrevista na íntegra. Até que me veio a idéia de olhar no site da Lucinda. Não encontrei nada sobre a entrevista, mas achei coisa melhor. Vi que ela estaria dando um Workshop de Poesia Falada em Salvador que coincidiria com o período das minhas férias. Ainda em São Paulo fiz a minha inscrição. Isso para mim seria algo como aprender canto lírico com o finado Pavarotti. Foi quase como conhecer a poesia pessoalmente. Pois eu que já conhecia a poesia dos meus rascunhos e dos livros que lia, de repente vi a poesia andando e falando através de cada um dos participantes. Eu mesma fui voz para o poema “O Vestido” de Adélia Prado. Concluímos o Workshop nos apresentando num recital com toda a pompa e circunstância no Hotel Sofitel. Formamos um grupo chamado “A poesia quando chega”. Pena que não estarei em Salvador para desenvolver esse projeto. Ao final, houve uma comemoração e uma moça da platéia me falou: “Quando você estava se apresentando, eu pensei... Ah! Essa menina deve ser atriz! Mas depois você disse ao dar o seu depoimento que era funcionária pública...Dei mais valor ainda!”. Bom saber que a Manuella Barnabé não é uma homicida e que a Manuella da Ribalta continua viva dentro de mim, assim como a poesia que pulsa e corre nas minhas veias.
* Britney Spears – Essa é uma curtinha bem curtinha... Só um puxão de orelha na mídia hipócrita. Quando morre alguma menina vítima de anorexia a imprensa corre para jogar toda a culpa no “mundo na moda” e sua cobrança por um corpo perfeito. Como se ela não tivesse a sua parcela nessa história. Só que quando alguém se afasta um pouco desse padrão de perfeição, a mídia esquece a capa de cordeiro e ataca com unhas e dentes. Não gosto do som da Britney, penso que ela está mais para novo Michael Jackson do que pra nova Madonna, achei o figurino dela no VMA de um mau gosto atroz, digno de bailarina de banda de arrocha, calipso e cia... Mas acho um absurdo dizerem que ela estava uma baleia, obesa etc... Depois quando um monte de adolescente pira na batatinha (sem gordura trans) querendo virar palito é aquele Deus nos acuda. Hipocrisia dá vontade de vomitar mais do que bulimia...
postado por Manuella às 10:51 AM
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Eu acho que vi o Pelé ontem... Não sei se era ele, mas bem que parecia. O lugar não podia ser mais inapropriado, uma livraria. Mas como diria o Baixinho, quase um profeta: “O Pelé calado é um poeta”. Vai ver estava num lançamento da sua Antologia Muda.
Eu acho que vi o Pelé ontem... E isso me pôs a pensar. Pelé, ao contrário do que parece, não me representa um vencedor, mas é um ícone do Brasil que não deu certo. Produto da época do Milagre Brasileiro, 90 milhões em ação, só que o Brasil do meu coração não foi pra frente...
Eu acho que vi o Pelé ontem... Tenho uma raiva danada dele! E ninguém pode falar mal do Pelé no Brasil que dá castigo. Vou ali ajoelhar no milho e já volto...
Eu acho que vi o Pelé ontem... Deu vontade de apresentar as contas da dívida que ele tem com o nosso país. Não bastasse ter de aturá-lo sob os refletores, ainda trouxe de quebra a Xuxa para os holofotes. E graças ao idílico casal, todo menino só quer saber da pelada no meio da semana e toda menina sonha no futuro em ser a pelada do mês no poster da revista.
Eu acho que vi o Pelé ontem... Troco ele pelo Neruda. Já pensou como ia ser bom se as crianças do Brasil brincassem com uma caneta nas mãos e não com uma bola nos pés? Aliás, aumento a oferta agora. Troco as três estrelas que ele ajudou a trazer por um Prêmio Nobel. Qualquer um. Nem precisa ser de literatura.
Eu acho que eu vi o Pelé ontem... Se ele serve de exemplo pra alguma coisa só pode ser da paternidade irresponsável. Não reconheceu a própria filha nem no leito de morte. Já que se arvora de majestade, devia seguir o exemplo da Realeza. O Príncipe Albert de Mônaco teve a hombridade de assumir os filhos que teve por aí. Isso sim é uma atitude nobre, meu Rei!
Eu acho que vi o Pelé ontem... Será que se ele não tivesse existido a gente ia ter de aturar as analogias futebolísticas de um Presidente da República? A raiva aumentou agora, estou voltando pro milho para pagar mais penitência...
Acho que vi o Pelé ontem... Mas, diferentemente da estátua da Fonte Nova, ele tinha os membros superiores intactos. Engraçada a ironia do destino. Os braços que ergueram a Jules Rimet tiveram simbolicamente o mesmo destino dela... O auto-forno! Roubados e derretidos em troca de uma graninha... Esse país é mesmo uma vergonha.
Acho que vi o Pelé ontem... Por causa dele vivemos nessa pátria de chuteiras. Feliz era o Gonçalves Dias que em seus dias declamava: “Minha terra tem palmeiras”. Porque a minha terra tem Palmeiras, Corinthians, Vasco, Flamengo, Internacional, Atlético... E ninguém declama mais nada! Todo mundo só quer saber do resultado do brasileirão.
Eu acho que vi o Pelé ontem... Pensando bem, não era ele mesmo, ainda bem. Porque o cara é uma tremenda bola fora!