Certa feita, época de Copa do Mundo, recebi o apelido de Roberta Carla. O motivo da alcunha era, vamos dizer assim, os atributos dos meus membros inferiores. Traduzindo, diziam que eu tinha as pernocas em versão feminina equivalente às do jogador Roberto Carlos.
Bem, o apelido até que me serviria agora, mas não com relação ao craque da bola. Sou uma Roberta Carla, é verdade. Só que em imagem semelhança a do cantor popular.
Não, eu não tenho cabelos grisalhos desgrenhados. Também não me apóio num microfone e nem sou tão romântica assim...
Pois então no que nos aproximamos? Explico, nas superstições. Eu, assim como o Rei, acredito em azar, bad luck, mala suerte... Não importa o sotaque, bate na madeira e pé de pato, bangalô, três vezes...
Agora mesmo olho meu guarda-roupa e vejo dentro dele quase que um talismã às avessas. Sim, o meu gato preto atualmente é um pretinho básico. Aliás, nada básico, porque o vestido é um luxo.
O danado foi escalado para dois eventos que tinham tudo para dar certo, mas não deram, muito pelo contrário. Agora o vejo pendurado no cabide e cadê coragem de me arriscar a usá-lo de novo? E se a uruca voltar a aparecer? Será que tem alguma lavanderia que ao invés de lavar a seco, lave em água benta? E ainda assim terei que trocar o meu perfume Very Irrestible da Givenchy por um vidro de alfazema de Filhos de Gandhy... Tá amarrado!

Vamos combinar que toda sexta-feira tem um gostinho especial, mas essa foi particularmente deliciosa. Saímos da loucura da semana de trabalho e tínhamos um destino certo: a Barra do Sahy. Pegamos a Imigrantes e na medida em que São Paulo ia ficando para trás, os problemas também iam se distanciando. É inacreditável que a apenas duas horas da Selva de Pedra se esconda um lugar tão bucólico. A Barra do Sahy é um vilarejo de pescadores com chão de terra batida e um cenário exuberante. Fiquei realmente impressionada com o visual, olha que não sou nenhuma deslumbrada e em matéria de praia sou mesmo muito exigente. O mar estava transparente e a areia brilhava tanto que parecia que tinham espalhado glitter. Não é uma beleza óbvia no melhor estilo coqueiral. Lá a praia se esconde por entre os mistérios da mata. Foi um fim de semana fantástico. No retorno a placa de trânsito avisava: "Aqui passa o trópico de capricórnio". Impossível não assoviar a música: "Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza"...


