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Sábado, Junho 07, 2008
Eu não gosto da voz de Nana Caymmi. Acho que ela canta como se estivesse sempre com prisão de ventre (vai um Teste do Activia, aê?). Mas, ainda que não goste, é a voz dela que escuto nesse momento na minha cabeça cantando: “Batidas na porta da frente, é o tempo”. Aliás, combina o fato de eu não gostar da voz com a sensação que essa frase me traz. Puro desconforto. Aliás, o tempo tem batido insistentemente na minha porta nos últimos dias. A primeira batida veio numa notícia de jornal e me deixou abatida. Lá estava uma nota de falecimento destinada à mãe de uma garota que foi minha colega no ginásio (ginásio soa tão oldfashioned).
Ela era uma socialite sempre bem maquiada e quando íamos a casa dela fazíamos as refeições numa mesa enooooorme de uns 10 lugares e ela usava uma espécie de intercomunicador através do qual dava ordens à cozinha: “sirva o arroz”, “traga a sobremesa”. Achava tudo muito divertido, quase teatral.
Era uma figura marcante da minha adolescência e de repente estava lá na página de um jornal, não mais nas colunas sociais que estampava freqüentemente, mas nos obituários. Um frio gélido percorreu a minha espinha (cá pra nós, essa frase ficou super livro de Bianca, Sabrina e cia). Toc Toc. Era o tempo batendo na porta e dizendo: “a partir de agora pais morrendo não serão mais uma tragédia assim tão rara”. Toc Toc Toc (agora não foi o tempo, fui eu mesma, batendo na madeira, isola, pé de pato bangalô três vezes).
Dias depois, acordei, fui escovar meus dentes e quando olho no espelho, vi um brilho diferente nos meus cabelos. Voltei a fixar o olhar nas minhas frenéticas manobras com a escova de dentes e zás! A visão periférica novamente captou aquele brilho peculiar. Depois de uma investigação minuciosa, cheguei à triste conclusão de que não era o efeito benéfico das ceramidas. A verdade veio dura: um fio de cabelo branco. E o danado nasceu diferente dos outros, espetado, meio grosso, todo se exibindo. Tratei de arrancar a evidência e quem espalhar essa história eu entrego para máfia [Don Vito Corleone Mode => ON].
Para encurtar a prosa, a última trombeta do apocalipse soou quando peguei um avião para passar um final de semana em São Paulo. Na poltrona do outro lado do corredor, paralela à minha, sentou-se um ex-colega de colégio. Passados os minutos iniciais do “acho que fomos colegas”, a conversa engrenou e passamos a falar sobre os anos pós-CSP. Ele está casado, pai de três crianças e super executivo-bem-sucedido. Será que temos mesmo a mesmíssima idade? Porque me pareceu que ele tinha vivido umas duas décadas a mais que eu. Era o tempo. Nesse caso, o mesmo tempo e caminhos de vida totalmente distintos. Sabe aquela parte da teoria da relatividade que trata do "paradoxo dos gêmeos"? Aquela que diz que havendo bebês gêmeos, se um permanece na terra e outro viaja para o espaço na velocidade da luz, o que ficou envelheceria mais rápido do que o outro? Sempre me falaram que eu ando rápido demais e no mundo da lua... Deve ser isso.
Bem, o avião pousou e lá estava eu de volta a São Paulo. Só por um final de semana.
Foi muito bom reencontrar os amigos. Com direito às bugigangas da 25, pastel do mercadão, café na Harddock Lobo, jantar na casa da Dana, churrasco da Monique, Pizza na casa da Léa... Deu saudade do meu APzinho de Sampa e dos eventos que fiz nele.
Preciso logo de um APzinho soteropolitano, mas esse boom imobiliário tem jogado os preços lá no teto (e eu vou ficando por enquanto sem teto).
O mais engraçado desse reencontro com Sampa foi a sensação de que tudo passa. Quantas vezes não fiz o caminho inverso, num misto de angústia e felicidade, indo passar só o final de semana na Bahia?
As pessoas, os lugares por onde passava, tudo desenrolava um novelo de recordações.
Lembrei da primeira vez que fui na casa da Monique e recebi uma ligação 071 (ou seria 171?) tão maravilhosa no celular que fiquei na varanda conversando, conversando e mal falei com ela... A Hermínia ficou de herança da Xará. Já a Léa eu conheci num barzinho da Vila Olímpia, ela recém chegada de um passeio pela França, cheia de histórias. A Dana foi no Bar Balcão também recém chegada, mas ao Brasil, e trazia uma lista interminável de compras que ia de sofá a toalhas que tratamos de traduzir para o português. Os colegas do trabalho... Aguardar o elevador hooooooooooras até chegar ao 23º andar. Pirraçar a Nádia, a Lídia, a Simone. A Ana Paula que está ainda mais longe e não deu para matar a saudade... Teve almoço comemorativo no MASP. Tudo tão familiar, mas ao mesmo tempo a clara sensação de que não é mais meu. Não é o meu lugar. Sou visita. O tempo em São Paulo passou. Assim como a Catapora da infância, o seriado Barrados no Baile, o sorvete na geladeira... O tempo é um vampiro batendo na porta da frente. E eu não quero convidá-lo para entrar. Pensando bem, pode me fazer imortal?



Hora: 8:43 PM
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Terça-feira, Maio 06, 2008
Eu vou, eu vou, para casa agora vou... Laralá lará laralá lará, eu vou, eu vou. Catando as minhas migalhas espalhadas no caminho... Seja de doces ou de tijolos amarelos com sapatos de rubi. ET go home. Mais uma vez, nesse era uma vez, a mocinha reencontrou o seu lar, doce lar. Enfim, voltei para casa... Retornei para minha terra, planeta água. Enfrentei a selva de pedras, feito Tarzan pink Ôhhhhh ôhhhhhhhhhh ôhhhhhhhhh, e agora estou de volta à Bahia com H.
Fácil? Nem tanto, entretanto me entretenho e pouco a pouco reencontro a minha essência. A saudade é inevitável. Dos amigos, do Brownie na Bela Paulista, do samba do Traço, do chopp da Vila, mas não das filas e favelas ou da feia fumaça que sobe apagando as estrelas. Nesse meu brinquedo de Star, pelo meu bem estar, juntei mais uma vez a minha fome com a minha vontade de comer acarajé. Seja da Dinha ou da Cira, sem adiar vontades. Pois é aqui que fico mesmo à vontade. Chega mais, puxa a cadeira.
Quer saber de uma coisa? Agora que eu voltei, quero viajar sem parar. Só que a passeio, completo! Feito festa. Celebrate good times, come on! It's a celebration! Porque a Bahia é meu cartão de seguro saúde. Porto Seguro de onde eu tanto agora posso içar as velas quanto jogar a âncora. Inventando novos caminhos, temperados com cominho e sal. Salvador me salvou das cinzas. Agora todo dia é carnaval. Ainda que em pleno mês de maio, das noivas (de Copacabana, do Leblon, da Barra e do Recreio). Porque foi muito boa a hora do recreio, com os amigos nesse giro pela cidade das maravilhas. Cidade maravilhosa que é B.I.T.C.H, Beach e beat. Ouvindo as batidas eletrônicas das pick-ups, de um tamborim da Beija-Flor ou de um coração acelerado. Passei o fim de semana no Rio e agora rio ao lembrar das histórias. Mas é hora de desfazer as malas. Em casa. Na minha Bahia preta. Tchau, Rio. Tchau, Sampa. Logo volto pra fazer uma visita. Prepara um café ou quem sabe um churrasco na cobertura. E a cobertura dessas viagens vão parar aqui no blog. Sempre. Livre de todo o mal. Amém.

Hora: 11:46 AM
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Sábado, Dezembro 29, 2007
Estava no cabeleireiro dando aquele upgrade na auto-estima para iniciar o ano novo com o visual em dia. Aproveitei o embalo para fazer as unhas dos pés e das mãos.
Poucas coisas me deixam tão pouco a vontade num salão de beleza quanto submeter-me ao trabalho de manicure e pedicure. Claro que não é nada comparável a uma depilação, mas sempre fico meio sem saber o que fazer.
Primeiro porque a minha mão não contribui. Não tenho dedos longos e finos como os bem-aventurados pianistas. Sem contar que a minha unha parece de criança, um desastre.
Lembro com clareza a data da minha iniciação nesse ritual macabro da extirpação das cutículas. Era o dia do meu baile de debutante. Fui mandada bem cedo, sozinha, para o salão. Conduzida pelo “Seu Manoel”, motorista que trabalhava para a gente naquela época, não tive a companhia de nenhuma mulher da minha família para explicar quais seriam os procedimentos.
A manicure foi chegado com aquela porção de apetrechos. Eram alicates, potinhos com água, algodões, palitinhos, toalhas... Pediu a minha mão direita. Molhou na água, retirou, enxugou e começou a descarnar. Feito isso passou uma base e depois pintou com um esmalte bem clarinho como eu havia pedido. Então ordenou imperativa: molhe a mão. Eu prontamente enfiei meus dedos no potinho. O esmalte recém pintado enrugou todo. Ela me fitou com olhos ardentes de ódio e berrou: ERA A OUTRA MÃO!
Foi uma péssima estréia na arte dos esmaltes. Esse fato deve ter deixado algum trauma obscuro. Só sei que até hoje tremo nas bases (e nos esmaltes também) quando tenho de oferecer as minha unhas em sacrifício.
Até porque, nunca sei responder às perguntas complexas que me são feitas, tipo: “Qual a cor do esmalte que você vai usar?”. Tenho certeza de que faltei a importantíssima aula no colégio em que foi passada toda a paleta de cores da Coloroma e da Risque.
Vejo as minha amigas discutindo com uma desenvoltura: “São duas camada de Carmim com uma camada de Rebu”. Para solucionar o problema, decorei um único nome de cor de esmalte: “Paris”. Toda as vezes é sobre ele que recai a minha escolha e sempre morro de medo de que não tenha no estoque da manicure. Olho a mocinha com aquela expressão decida e falo: “Paris”. Um passo em falso e eu posso ser desmascarada como uma completa desconhecedora do assunto. Vexame absoluto.
Vencido esse stress inicial. Olho para as minhas unhas já prontas, com direito a óleo secante e tudo. Lindas, brilhantes...
Percebo que é a mesma coisa com o ano novo. Todo dia 31/12 é como se passássemos acetona e limpássemos as velhas marcas. No dia 01/01 pintamos delicadamente. Depois temos o maior cuidado nos primeiros dias para não descascar.
Só que com o passar do tempo o esmalte vai trincando. Os pedaços vão ficando por aí, ou quem sabe o pior, a unha inteira se quebra.Quando nos damos conta, já estamos loucos para passar acetona de novo e começar tudo outra vez.
Espero que o esmalte do ano de 2008 dure bastante tempo impecável. Caso haja marcas (infelizmente elas sempre existem) que sejam bem pequenas. Até que 2009 desponte e chegue a hora de repintar o ano, apenas porque a unha cresceu e não por ter se quebrado. Aí direi dessa vez realmente decidida: “Paris”. Duvido que haja nome de esmalte que combine mais com Ano Novo do que o da Cidade Luz que cunhou a palavra Réveillon.
Hora: 3:40 PM
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Sexta-feira, Dezembro 21, 2007
Salvador tem a característica de transmutar o religioso em profano. Essa foi a receita do seu extenso calendário de festas de largo que se inicia em dezembro com homenagem a Santa Bárbara e termina com o Carnaval. Aliás, é esse o ápice do culto ao mundano, com milhares de pessoas tomando as ruas numa celebração extravagante a tudo aquilo que há de mais profano.
Já para o aniversário do Salvador, falo Daquele que foi pregado na cruz, fizeram o caminho inverso. Pegaram uma festa profana e a transformaram em feriado religioso.
Assim, o Bispo de Roma pongou nos rituais pagãos que celebravam o solstício de inverno, o Yule que é o momento do nascimento do filho da Deusa, determinando que esta fosse a data de vinda ao mundo da criança prometida do catolicismo.
Na verdade, ninguém sabe a data exata de nascimento de Jesus. É por isso que eu gostaria que não houvesse um dia “formal” de Natal.
Eu sei que é bem contraditório. Eu que vivo pregando aos quatro ventos que adoro as datas comemorativas, quero de repente acabar com a principal delas para o mundo ocidental?
Calma, não é nada disso. Quem sou eu para terminar com a festa do menino Deus. A minha proposta seria outra. Já que o natal é uma data aleatória, devia ser dado a cada indivíduo o direito sagrado de escolher o seu dia de Natal. Qualquer um dentro dos 12 meses.
Ia ser muito mais legal. O ano todo ia ter alguém vivendo aquele típico estado “Jingle Bells” de graça. Não ia haver engarrafamento ou falta de estacionamento nos shoppings... Sem contar que algumas pessoas, mesmo sem saber disso, iriam comemorar o Natal precisamente no dia em que ele aconteceu.
Estava pensando com meus botões, esse ano que está acabando tive muitos dias felizes. Aposto que um deles deve ter acontecido no dia em que o menino da manjedoura estava apagando as velinhas lá no céu.
Acho que deve ter sido Natal esse ano quando meu irmão me mandou emocionado pelo celular a foto da sua pequena que acabava de surgir para a vida. Quem sabe foi Natal quando Catarina me falou pelo telefone: “Titia eu te amo, tô com saudades”. Ou então quando assisti a Miss Saigon na adorável companhia dos meus pais... Será que foi quando eu estava recitando uma poesia? Ou também pode ter sido na data em que avistei do barco Buenos Aires se aproximando...
Nunca vou saber, apenas tenho certeza de que nesses dias Deus estava sorrindo. Espero que no ano que vem haja ainda mais momentos assim para todos nós... Com Deus (menino ou homem feito) às gargalhadas.
Quanto ao dia 25 de dezembro que está chegando, confesso que vou festejar. Afinal, Jesus pode ter nascido em qualquer dia, inclusive neste. Por via das dúvidas, não vou ser eu a única a dar um bolo num dia que bem pode ser o do bolo do Criador.
Quer saber de uma coisa, feliz Natal a todos, todos os dias.
Hora: 2:04 AM
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Terça-feira, Novembro 06, 2007
Geralmente gosto mais da palavra escrita do que da falada. Contudo, nesse caso específico preferia que esse post fosse com áudio ao invés de letras. Explico: tentarei transmitir as minhas impressões sobre nossa jornada pelo sul do cone sul (ui) em nosso espanhol freestyle, ou melhor, no nosso portuñol safado enriquecido com vitaminas e sais minerais. Portanto, abrirei mão da grafia correta das palavras e escreverei foneticamente como seria a pronúncia de cada palavra no nosso dialeto (exemplo jueves = rueves). Bamos lá!
Dia uno (miércoles - 24/10/07) – Lhegamos a Montevideo. Como nosostros somos boludas, pegamos o coche (táxi) especial (carros de luxo bege) e tivemos de gastar mutcha plata. Caminamos pela rambla (orla) e paramos para beber una cerveza Patrícia. Deitei parar tirar um cochilo antes de ir para o bolitchê (balada) mas morí e só fui acordar no dia seguinte dez de la mañana.
Dia dos (rueves – 25/10/07) – Saímos caminando pela ciudad bierra. Paramos num ponto de información ao turista e la chica hablou que devíamos conocer la fortaleza. Foi um trabarro enoerme lhegar hasta lá. Quando lhegamos era tipo uma pegadinha do Faustón. O fuerte é todo dedicado à vitória do Uruguai sobre o Brasil. No regresso dentro do autobus conocemos Federico, um chico local que esta aprendendo português e que soña em morar in Brazil. Em la noche fomos onde la chica da información ao turista tinha indicado e o local era mui sinistro e perigloso cheio de chicanos (ela definitivamente era uma hirra de la puta).
Dia tres (Viernes – 26/10/07) – Saímos temprano para Punta del Este. Pegamos el autobus na rodoviária de tres cruces e lhegamos lá umas duas horas después. La nuestra compañera Vivi lhegou quando já era case notche. Caminamos pela rambla e encontramos um chico que estava no mismo avión de Vivi. Ele era Uruguajo e junto com su amigo, explicou para mim e para Vivi a dinâmica local. Descobrimos que los uruguajos e uruguajas não conocem taza ou pensam que isto é para amadores como nosostros brasileños. Todos lá bebem cerveza de litro no gargalo. Cinco amigos tomando una em El Uruguay significa cinco amigos cada uno com su litro.
Dia cuatro (Sábado * sín graza, sábado é sábado* – 27/10/07) – Caminamos pela rambla de Punta num freak foto tour. Conocemos los lobos marinos nadando no puerto, paramos num resto para almozar. Durante a tade hacemos um city tour que terminou num por del sol na Casa Pueblo, lhorei de emoción, foi mui lindo e inovidable. De notche fomos ao Cassino fazer um esquenta para nuestro primero bolitchê. No Cassino perdi U$7,00 em los Caça níqueis. Desisti desta vida de juegadora e parti para el bolitchê. Primero fomos para um lugar lhamado Punta 33 mas estava mui caído. Fomos entonces para El Pony Pisador (rede de boliches com estabelecimientos em Montevideo y Punta) que estava bombando. Lá nosotras causamos mutchíssimo. Tocou funk, axé e cia e tivemos que ensinar aos locales como se baila. Conocemos um guapíssimo que parecia case um cruzamento de Menudo com Gael Garcia Bernal e Vivi largou el chico em mi mano. Azar no juego, suerte no amor.
Dia cuatro ( Domingo *sín graza parte dos, domingo tambiém é domingo* - 28/10/07) – Fomos a Rossé Inácio. Uma plaja mui lerra, selvarrem e preciossa. Comemos num resto bar na beira da plaja lhamado Parador La Huella. O lugar é mui lindo djô me senti case em um cenário de catálogo da tenda Richard’s del Brasil. Extrañei os nuestros 10% de taxa de servizo porque lá tienes que pagar case 30% pro Graçon. Arrumamos nuestro equiparre e partimos rumo a Colônia. Tivemos que pegar um autobus hasta Montevideo para después pegarmos otro autobus hasta Colônia del Sacramento.
Dia cinco (Lunes – 29/10/07) – Lhegamos pela manhã mui temprano em la ciudad. Fomos tirar uma soneca para después caminarmos pela cájes de pedra. Tudo parece olvidado no tiempo. É tudo mui romântico. Um local para se caminar com el hombre de su vida. De notche estava tudo desierto paramos no Colônia Rrrrrrrrrrôck e la comida era mui mala. Regressamos para dormir porque no outro dia seguiríamos viarrem.
Dia Seis (Martes – 30/10/07) – Fomos hasta el puerto de Colonia pegar o buque (ferry-boat) hasta Buenos Aires. Todos que me conocem sabem que esta é a ciudad que mais amo después de Salvador de Bahia. Foi miña tercera vez em Buenos e lá emoción continua tão fuerte como na primêra. Caminamos pelas cajes porteñas hasta la Recoleta. Paramos no mui conocido Café La Biella e tomamos nuestra primêra Quilmes. Cada cerveza tirada (chopp) acompaña uma porción de papas fritas ou de manies (amendoins). Em la notche caminamos djô y Vivi por Palermo Soho e Palermo Holywood a procuras dos bares hasta nos quedarmos no Bar Unico, templo dos mauricinhos del local. Después fomos a la praça Serrano donde se encontram la maior parte dos bares case una Aspicuelta. Um chico local mui amable nos fez uma lista dos merrores bolitchês de Buenos Aires. Volvemos para nuestro hostel.
Dia siete (Miércoles – 31/10/07) – Manãna fomos a cáje Florida hasta las tendas gastarmos toda nuestra plata. Después fomos a um dos bares da plaza serrano e quando a notche já estava alta seguimos hasta uma festa de halloween. La bruja estava suelta.
Dia otcho ( Rueves - 01/11/07) – Dia de todos los Santos e como sou hirra de lá Bahia de Todos los Santos, só podia ter sido o merror dia da viarrem. Fomos para o Porto Madero e almozamos num resto mui chic mirando o dique. Después fomos ao Freak Foto Tour 2 pelo Caminito com nuestro amigo Felipe. As fotos ficaram senzacionales. Comprei mio CD do Gotan Project e rumamos para o After Office chamado Shaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaamrôôôck. Djô y Vivi pagamos 20 pesos as 2 com diretcho a 8 cervezas Quilmes long neck. Sem contar q foi la marror concentracion de hombre bonito de toda la mi vida. E nosotras estávamos fechación. Bastava hablarmos qualquer frase em português, mesmo que mui bizarra, tipo: “tem uma meleca enorme no meu nariz” para que todos los hermanos gritassem “brasileñas, q lindo!”. Falar português na Arrentina é a lhave para o sucesso. Se cantada de Arrentino fosse plata estaríamos com mutchas monedas. Seguimos para um bolitchê technera lhamado Niceto Club. Entramos em la faixa y ainda ganhei uma cerveza tirada por completar el questionário sobre a cassa. Foi una espécie de confraternización da galera del Hostel.
Dia nueve (Viernes - 02/11/07) – Acordamos e partimos para los bosques de Palermo. Hacemos nuestro Freak Foto Tour 3. Después fomos a porto madero comprar los tickets para el buquebus del regresso. Susto! Não habia mais. Djô entonces me recuerdei de outra empressa que hacia el mismo trarreto: Colônia Express. Salvación de la lavora. Ufa! Después de caminarmos Porto Madero de punta a punta, muertas, não fomos a nenhum after office (ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh q penita). Tomamos um baño e fomos curtir nuestra ultima notche. Primeira parada La Diosa. Cruces!!! Todos los hombres bregons de Buenos vão pra esse lugar escutchar el reghaton. Nunca vi tantas personas fêas em toda la ciudad. Sartamos fuera e fomos para ôtro Bolítchê mas tinha uns chicos na fila mui boludos (perguntaram se nosotras preferíamos Cacá, Robinho ou Ronaldinho affffffffff), sartamos fuera de nuevo. Andamos pela cáje e acabamos na boa e velha plaza serrano. Entramos no Brujas e estava mui mal. Fomos para ôtro bolítchê q não me recuerdo el nombre e nos divertimos bailando canciones mui bierras.
Dia 10 (Sábado – 03/10/07) – Mal lhegamos no hostel, já era hora de partirmos. Pegamos nuestro equiparre e lhamamos um coche. No médio del camino me recuerdo que habia olvidado mi telefono celular cargando. Paramos no puerto, compramos nuestros ingressos, volvemos para o coche y partimos para resgatar el celular. Regressamos ao puerto e pegamos el buque com destino a Colonia. Buenos Aires foi ficando para trás e me recuerdou lá canción: “Mi Buenos Aires querido cuando yo te vuelva a ver”. Em Colonia pegamos um tranfer hasta Montevideo y de lá fui direto para el aeropuerto Carrasco. Assim terminou nuestra jornada pelo Sur del Cone Sur (ui). E para tu que lhegou hasta el final deste post adiós Y suuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuueeeerte!
Hora: 8:38 AM
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Domingo, Outubro 14, 2007
Eu não nasci ontem. Mas para eles aposto que foi, no máximo, anteontem que eu era um bebê minúsculo e prematuro. Há tão pouco tempo, pais de terceira viagem, estavam eles às voltas com fraldas e choros. Só que o cercadinho cresceu e virou o mundo.
Assim, eu que mal deixavam dormir na casa de uma coleguinha, a menos que conhecessem muito bem os pais dela, durmo agora tão longe deles que precisam pegar um avião para checar meu sono.
É por isso que nas últimas duas semanas tive a companhia dos meus pais aqui em São Paulo, hospedados no meu apartamento. Nesses dias, vejam só, era eu que os levava para passear e me preocupava se iam atravessar com cuidado a rua. Devia haver um cercadinho para gente colocar os pais também, protegê-los dos perigos da vida.
Aliás, o relógio devia andar mais devagar. Era tão bom aquele tempo em que a gente achava que os pais eram super-heróis inatingíveis. Mas a gente descobre que eles não são tão fortes quanto a gente gostaria e não há o carimbo de garantia eterna da presença deles ao nosso lado. E, acreditem, isso é bem pior do que descobrir que Papai Noel não existe.
O dito mundo adulto que a gente não pediu pra entrar é às vezes mais assustador do que o “Mundo do Terror” que a gente pegava uma fila enorme pra comprar o ingresso e ia assistir aos sustos garantidos, por via das dúvidas, de mãos dadas com eles. E são essas mesmas mãos que a gente procura ainda hoje nos momentos de incertezas.
Realmente não pinto mais corações rosas e vermelhos com lápis de cor na escola entre bonequinhos zé-palito escrito “eu te amo” para eles. Devia, porque é a verdade ainda que não dita. Amo o jeito como eles me olham. Pode parecer incrível, mas o mesmo sanduíche feito por minha mãe fica tão mais gostoso, assim como assistir a um filme ao lado de meu pai traz tantas novas explicações que faz o diretor de cinema parecer um bobo.
Infelizmente o tempo passou e de repente o dia das crianças virou apenas mais um feriado em dia santo para a gente que trabalha todo santo dia poder descansar. Mas não para eles. Já que para meus pais eu não cresci. E estão certos. Porque grandes são eles.

Hora: 11:52 AM
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Terça-feira, Setembro 25, 2007
As curtinhas da Manu (Calma, estou falando de notícias, não de mini-saias)
Há tempos não escrevo aqui. Acumulou! Se fosse a mega-sena, o prêmio já estaria em dezenas de milhões... O pior é que não foi nem por preguiça. Fiquei aguardando que me mandassem algumas fotos e os assuntos foram ficando mais engarrafados do que trio-elétrico na Av. Carlos Gomes em plena terça-feira de carnaval na boa e velha Salvador... Vamos então às curtinhas!
* Feriado em Sauípe – O feriado foi com a família no resort Renaissance . O esquema era all inclusive, traduzindo: enfia o pé-na-jaca de com força! Foi tão maravilhoso... O sol deu uma cooperada, as piscinas, dado aos seus tamanhos “diminutos”, correspondiam a pouco mais de 80% de toda água potável do planeta e o mar, assim como os coqueiros, emoldurava o cartão postal. Achou que não podia ser melhor? Errou! Podia sim... E foi! Porque além de tudo teve show da Banda Reggae Olodum na Vila Nova da Praia (espécie de vilinha de pescadores que existe lá e é totalmente made in Projac, ou seja, 100% cenográfica). Eu me acabei!!! Só me esqueci de um detalhe, na época em que eu dançava Requebra (“Em baixo, em baixo, em baixo, ôh, ôh, ôh”) tinha praticamente a metade da minha idade atual, fui tentar repetir a coreografia e... Ai minhas pernas, minhas costas, meu pescoço...
* Férias em Salvador – Essa cidade é minha Shangri-lá. Pena que a era moderna trouxe os fingers (sanfonas) para o ex-Aeroporto 02 de Julho. Assim tenho que passar por dezenas de túneis articulados e corredores, até chegar na saída do aeroporto e poder finalmente sentir a brisa da terrinha. Na época das escadas nos aviões esse efeito curativo vinha para mim de modo imediato. Droga! Não consigo mentir e vou ter de assumir que é desde antes de eu vir morar aqui em São Paulo que o aeroporto de Salvador opera com fingers... Mas achei tão linda essa imagem de eu saindo da aeronave e parando na escadinha, inspirando profundamente, como se pudesse absorver através das narinas toda a magia da saudosa Bahia... Vamos fazer de conta que era assim, licença poética! E por falar em poesia... Bem, isso é assunto para um novo tópico das curtinhas.
* Quando a poesia chega – Dia desses estava assistindo ao programa do Jô quando ele anunciou que uma das pessoas entrevistadas seria a atriz, cantora e poetisa (ufa!) Elisa Lucinda. Tive que aturar a entrevista anterior que seria com um cara que adora macacos, ansiosa para que acabasse logo, até que... Dormi! No outro dia quando eu acordei e vi a TV ainda ligada morri de raiva. Corri para o You Tube, para o site do Programa do Jô... Nada de achar a entrevista na íntegra. Até que me veio a idéia de olhar no site da Lucinda. Não encontrei nada sobre a entrevista, mas achei coisa melhor. Vi que ela estaria dando um Workshop de Poesia Falada em Salvador que coincidiria com o período das minhas férias. Ainda em São Paulo fiz a minha inscrição. Isso para mim seria algo como aprender canto lírico com o finado Pavarotti. Foi quase como conhecer a poesia pessoalmente. Pois eu que já conhecia a poesia dos meus rascunhos e dos livros que lia, de repente vi a poesia andando e falando através de cada um dos participantes. Eu mesma fui voz para o poema “O Vestido” de Adélia Prado. Concluímos o Workshop nos apresentando num recital com toda a pompa e circunstância no Hotel Sofitel. Formamos um grupo chamado “A poesia quando chega”. Pena que não estarei em Salvador para desenvolver esse projeto. Ao final, houve uma comemoração e uma moça da platéia me falou: “Quando você estava se apresentando, eu pensei... Ah! Essa menina deve ser atriz! Mas depois você disse ao dar o seu depoimento que era funcionária pública...Dei mais valor ainda!”. Bom saber que a Manuella Barnabé não é uma homicida e que a Manuella da Ribalta continua viva dentro de mim, assim como a poesia que pulsa e corre nas minhas veias.
* Britney Spears – Essa é uma curtinha bem curtinha... Só um puxão de orelha na mídia hipócrita. Quando morre alguma menina vítima de anorexia a imprensa corre para jogar toda a culpa no “mundo na moda” e sua cobrança por um corpo perfeito. Como se ela não tivesse a sua parcela nessa história. Só que quando alguém se afasta um pouco desse padrão de perfeição, a mídia esquece a capa de cordeiro e ataca com unhas e dentes. Não gosto do som da Britney, penso que ela está mais para novo Michael Jackson do que pra nova Madonna, achei o figurino dela no VMA de um mau gosto atroz, digno de bailarina de banda de arrocha, calipso e cia... Mas acho um absurdo dizerem que ela estava uma baleia, obesa etc... Depois quando um monte de adolescente pira na batatinha (sem gordura trans) querendo virar palito é aquele Deus nos acuda. Hipocrisia dá vontade de vomitar mais do que bulimia...
Hora: 10:51 AM
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Quarta-feira, Setembro 05, 2007
Eu acho que vi o Pelé ontem... Não sei se era ele, mas bem que parecia. O lugar não podia ser mais inapropriado, uma livraria. Mas como diria o Baixinho, quase um profeta: “O Pelé calado é um poeta”. Vai ver estava num lançamento da sua Antologia Muda.
Eu acho que vi o Pelé ontem... E isso me pôs a pensar. Pelé, ao contrário do que parece, não me representa um vencedor, mas é um ícone do Brasil que não deu certo. Produto da época do Milagre Brasileiro, 90 milhões em ação, só que o Brasil do meu coração não foi pra frente...
Eu acho que vi o Pelé ontem... Tenho uma raiva danada dele! E ninguém pode falar mal do Pelé no Brasil que dá castigo. Vou ali ajoelhar no milho e já volto...
Eu acho que vi o Pelé ontem... Deu vontade de apresentar as contas da dívida que ele tem com o nosso país. Não bastasse ter de aturá-lo sob os refletores, ainda trouxe de quebra a Xuxa para os holofotes. E graças ao idílico casal, todo menino só quer saber da pelada no meio da semana e toda menina sonha no futuro em ser a pelada do mês no poster da revista.
Eu acho que vi o Pelé ontem... Troco ele pelo Neruda. Já pensou como ia ser bom se as crianças do Brasil brincassem com uma caneta nas mãos e não com uma bola nos pés? Aliás, aumento a oferta agora. Troco as três estrelas que ele ajudou a trazer por um Prêmio Nobel. Qualquer um. Nem precisa ser de literatura.
Eu acho que eu vi o Pelé ontem... Se ele serve de exemplo pra alguma coisa só pode ser da paternidade irresponsável. Não reconheceu a própria filha nem no leito de morte. Já que se arvora de majestade, devia seguir o exemplo da Realeza. O Príncipe Albert de Mônaco teve a hombridade de assumir os filhos que teve por aí. Isso sim é uma atitude nobre, meu Rei!
Eu acho que vi o Pelé ontem... Será que se ele não tivesse existido a gente ia ter de aturar as analogias futebolísticas de um Presidente da República? A raiva aumentou agora, estou voltando pro milho para pagar mais penitência...
Acho que vi o Pelé ontem... Mas, diferentemente da estátua da Fonte Nova, ele tinha os membros superiores intactos. Engraçada a ironia do destino. Os braços que ergueram a Jules Rimet tiveram simbolicamente o mesmo destino dela... O auto-forno! Roubados e derretidos em troca de uma graninha... Esse país é mesmo uma vergonha.
Acho que vi o Pelé ontem... Por causa dele vivemos nessa pátria de chuteiras. Feliz era o Gonçalves Dias que em seus dias declamava: “Minha terra tem palmeiras”. Porque a minha terra tem Palmeiras, Corinthians, Vasco, Flamengo, Internacional, Atlético... E ninguém declama mais nada! Todo mundo só quer saber do resultado do brasileirão.
Eu acho que vi o Pelé ontem... Pensando bem, não era ele mesmo, ainda bem. Porque o cara é uma tremenda bola fora!
* É ou não é o Pelé?
Hora: 11:08 AM
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Domingo, Agosto 26, 2007
31 é código da operadora Telemar para as chamadas DDD. Realmente meu aniversário de 31 anos foi assim: a longa distância. Afinal, esse ano não comemorei essa data em Salvador, fiquei por São Paulo mesmo... E quer saber de uma coisa? Não tenho do que reclamar porque foi “Óóóóótemo”!
Pra entrar no clima desde cedo, resolvi me dar um day-off. Seria castigo demais trabalhar no dia do meu aniversário, não é verdade? Aliás, devia haver uma lei que instituísse oficialmente como feriado individual esse dia para cada um.
Assim, aproveitando a minha folga, durante a manhã tive o meu dia de madame no salão de beleza. Fiz massagem, sobrancelha, cabelo... Saí de lá ainda no espírito dondoca direto para o shopping center.
Quando cheguei em casa, dei a última ajeitada nas madeixas, fiz um make-up de estrela, vesti a minha roupitcha reluzente e zarpei para a farra. Basicamente posso dizer que a noite do meu aniversário foi frenética, ou seja, abri as minhas asas, soltei as minhas feras, caí na gandaia e entrei na maior festa.
Apesar de só ter me decidido em cima da hora, o lugar da comemoração não podia ter sido melhor, fomos para o Grazie a Dio! Como o agito era comandado pelos vocais do filho do Síndico, Tim Maia, ninguém ia interfonar pra reclamar da bagunça. E fizemos muita! Subi no palco, incorporei a Chacrete, a passista, a porta-bandeira... Enfim foram várias performances... Agora o difícil vai ser administrar o sucesso, porque depois desse show, as portas da fama vão se abrir definitivamente para mim. Já me vejo distribuindo autógrafos... Ok, ok, menos, menos... Só me empolguei um pouquinho, poxa... Não recrimina!
No outro dia não teve ressaca e sim mais festança. Almocei solenemente com os colegas do trabalho e à noite, pra não perder o costume, dei uma saída para apagar mais umas velinhas. E não acabou por aí, porque no dia seguinte tive direito a mais um bolinho para cantar os parabéns.
Fazendo jus ao meu complexo de princesa, foi uma coisa assim meio família real, quase uma semana de festejos. E já que a proposta era celebrar a chegada dos 3.1, tive 3 bolos em São Paulo (de prestígio, de bem casados e de chocolate branco) e terei 1 em Salvador! Aliás, 1 não, hummmmmmmmmmmmmmmmm!



Hora: 10:07 AM
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Quinta-feira, Julho 26, 2007
Ontem fui assistir a duas exposições que estão encerrando a temporada na OCA (Parque do Ibirapuera): Corpo Humano – Real e Fascinante e Leonardo da Vinci – A Exibição de um Gênio
Bem, confesso que a minha impressão sobre a primeira não foi das melhores. Por mais que tentasse abstrair, a toda hora soava uma sirene na minha mente: “são cadáveres”.
A morte geralmente me causa certo pavor e desconforto. Vendo ali tantos órgãos nas vitrines, tantos corpos esticados feito manequins de loja, exibindo as suas compleições físicas, foi inevitável refletir sobre a fragilidade humana. Tive de deixar a minha onipotência um pouco de lado. Impossível acreditar-me imortal diante de tantos corpos dissecados.
Contudo, inegável que o trabalho científico foi primoroso. A precisão das secções é impressionante. Pude ver ao vivo como são e imaginar como funcionam os nossos principais sistemas. Quase uma aula de anatomia. Sem contar que é incrível como a natureza se repete. Hoje vi a copa de uma árvore sem folhas e achei quase idêntica em maior escala aos alvéolos pulmonares.
Mas se por um lado a plasticidade de alguns órgãos causou em mim certo deslumbramento, por outro foi excessivamente bizarro ver, por exemplo, todo o sistema nervoso de uma criança de cinco anos. Como assim? Eu não queria lembrar dessa verdade tão brutal: crianças de cinco anos também morrem. E a realidade estava ali diante de mim, exposta numa redoma de vidro.
Ainda meio perturbada pelas imagens fortes segui para a segunda mostra. Um deleite. Em verdade não há nada de genuíno. Não vi um risco sequer traçado pelas mãos do grande Mestre. São basicamente reproduções e maquetes. Mesmo assim foi delicioso poder entrar em contato com a obra davinciana. Como pôde dominar tantas áreas do conhecimento? Um Gênio absoluto, estarrecedor.
Sem contar que fez com que me lembrasse da minha infância. Quando era pequena em Salvador havia um lugar que estava dentre os meus favoritos, o Museu da Ciência e Tecnologia. Era tudo interativo, podia mexer nos experimentos. Não era um museu estanque. Pude revisitar essa sensação ao manipular algumas das peças criadas conforme os esboços de Leonardo.
Outra coisa que adorava quando era criança e tive o prazer de reviver era brincar de infinito com espelhos nos vestiários de lojas. Pois para minha surpresa havia um “quarto dos espelhos” na exposição. Ele criou uma espécie de câmara octogonal com as paredes feitas de espelhos e que uma vez encerrados lá dentro, podemos nos ver infinitas vezes em todos os nossos ângulos. Achei o máximo! Eu dava um volta na mostra e me trancava no quarto dos espelhos. Mais uma volta e lá estava eu de novo. Estava me sentindo no tubo de um caleidoscópio. Aproveitei para transgredir as regras e tirar umas fotos lá dentro. Estava achando o máximo aquele exército de Manuellas.
Tive de me apressar pois já estava quase na hora de ir para o trabalho. Então na saída pude ler uma frase de Da Vinci que serviu para mim de ponte entre as duas exibições: “Um dia bem empregado traz um sono feliz, da mesma maneira que uma vida bem vivida traz uma morte feliz”. A certeza da visita de inopino da dama de túnica negra e foice na mão é, pois, o maior estímulo à vida. Viva!

Hora: 11:28 PM
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Domingo, Julho 22, 2007
Sexta-feira passada foi dia do amigo. Eu adoro dias especiais (das mães, dos pais, das crianças etc). Não que essas pessoas mereçam só um dia no nosso calendário. Contudo, em meio às atribulações do cotidiano, esquecemos de dizer o quanto são importantes para nós. Essas datas comemorativas têm o condão de nos fazer parar e expressar, ainda que apenas mentalmente, “hey, você é especial, obrigada por existir”.
Tive um grande amigo em Salvador cujos caminhos da vida acabaram por nos afastar naturalmente. É dele a melhor imagem que tenho sobre a importância da amizade. Aliás, adoro imagens guardadas na memória. Para mim são como retratos mentais vivos. E todos sabem que adoro fotografias e o seu poder de congelar um momento.
Pois bem, certa feita a mãe dele foi fazer uma grande cirurgia que envolvia órgãos nobres. Todas as intervenções cirúrgicas representam um risco, mas nessa, especificamente, ele era mais eloqüente. Assim, próximo da hora marcada para o procedimento, espantei-me com o meu amigo batendo à porta do meu escritório (advogava nessa época). Assustada, perguntei se ele não ia pro hospital. Ele disse que não. Questionei se ele queria falar sobre o assunto. Veio outra negativa. Foi aí então que ele me disse que tinha ido justamente para o único lugar onde ele não iria lembrar do que estava acontecendo naquele momento com a mãe dele. De fato, poucos minutos depois estávamos rindo das nossas bobagens com aquela cumplicidade que só os amigos verdadeiros possuem. O tempo voou e nos surpreendemos com o telefone tocando para avisar sobre o bem sucedido resultado da cirurgia.
Não consigo lembrar agora de prova de amizade maior do que essa. Realmente fez com que me sentisse absolutamente especial. Penso que é para isso que servem os amigos. Ao vermos o quanto são extraordinários, sentimos que devemos ter algo de mágico para atrairmos pessoas assim para o nosso lado. Em suma, são o lastro do nosso próprio valor.
Particularmente, sou muito exclusivista. Não saio distribuindo o selo dourado da minha amizade para qualquer um. Posso levar anos convivendo até bem proximamente com uma pessoa sem ainda julgá-la minha amiga. Para outros, bastam alguns poucos momentos para elevá-los ao meu mais alto panteão dos grandes amigos. Não há uma lógica. É algo que simplesmente sinto.
Vejo a amizade como um campo arado. Algumas plantações perenes já se encontram plenamente adaptadas ao solo, em franca produção. Há aquelas que são sazonais e sua importância limita-se a determinado período. As mudas mais novas requisitam um maior cuidado. Outras, ervas daninhas que são, precisam meramente ser extirpadas e não hesito em fazê-lo. Mas há sempre terra fértil pronta para receber novas sementes.
Assim, comemorei o dia 20 de julho no sofisticado restaurante Walter Mancini em meio aos novos amigos que a capital paulista me deu. Unidos num único brinde, estávamos eu, Léa, Monique, José, Dana e Luísa, a mais recente integrante da trupe. Era uma mesa multinacional, multicultural. Brasil, Bahia (não resisti ahahahha), Portugal, Eslováquia, Colômbia... Falávamos um português, misturado a inglês com um toque em espanhol. Melhor impossível, assim podemos provar que para o milagre da amizade não existem fronteiras.

Hora: 2:00 PM
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Segunda-feira, Julho 02, 2007
Sábado fui fazer trilha em Paranapiacaba, um lugarejo próximo a São Paulo, distrito do município de Santo André. Antiga vila em estilo Inglês que viveu seus momentos áureos no final do século XIX e início do século XX, quando surgiu para abrigar os funcionários da São Paulo Railway.
Lá estão ainda os trilhos que se cruzam, o relógio da estação, a maria-fumaça, muitas construções antigas... É nítida a impressão que se tem ao chegar de viagem no tempo . Tudo parece perdido no passado, ainda mais quando se faz o contraponto com a tumultuada São Paulo.
O objetivo do passeio era fazermos uma trilha até a Cachoeira Perdida. Demos então início à jornada e logo veio o primeiro susto: eu não sabia andar. Sim, falei andar, percebem? Eu que me achava dona da verdade, em meio a um mundo globalizado, com acesso a todo tipo de informação, estava ali diante de um dilema que me parecia absurdo: aprender a andar. Porque sempre achamos que sabemos tudo e, de repente, algo tão básico, tão óbvio, tão banal, que eu nem sentia mais que fazia, pareceu-me absolutamente novo. Estava ali dando os primeiros passos feito um bebê. Assim como Catarina há pouco o fez e logo Alice o fará.
É incrível como a ausência de um piso regular faz toda diferença e não estou exagerando mesmo. Eu que estou sempre andando a mil pra lá e pra cá, quase correndo, de salto alto nas calçadas da vida, de repente estava hesitando a cada passada.
Tive mesmo que reaprender a andar, ou melhor, fazer com atenção algo que eu achava que já dominava. Redescobrir a roda. Era preciso firmar um pé para então poder mudar a passada. Só quando um ponto de apoio estivesse plenamente dominado é que podia dar o passo seguinte. Isso é pura filosofia, pois na vida também é assim. Se passarmos para uma segunda etapa, sem estarmos certos da anterior, o risco de falha é enorme. Basta um tropeço e o precipício fica logo ali ao lado...
E não é só isso. É preciso ter senso de grupo, ter a humildade de pedir algumas vezes para alguém te dar a mão e assim poder seguir adiante. Porque tinha momento em que eu achava que não ia conseguir, a perna parecia que travava. Outras horas era preciso descobrir escadas imaginárias por entre as raízes das árvores. Havia um objetivo e ele justificava a caminhada.
O barulho das águas caindo indicava que a nossa meta estava por perto. Ledo engano, eram outras quedas d’água. E quantas vezes não cometemos esse equívoco, comemorando uma vitória imaginária ao soar do primeiro alarme falso?
Mas a nossa procura não foi em vão. Logo se descortinou à nossa frente a Cachoeira Escondida que tanto buscávamos. E foi um deslumbre. A névoa intensa dava um clima onírico. Parecia que estava num mundo encantado como Avalon. Ia pulando de pedrinha em pedrinha por entre as águas, quase personagem de um jogo de vídeo game à la Pitfall.
Na hora veio à mente um trecho de uma poesia minha, em que digo: “Na mata densa, dança o sonho”. Esses versos agora faziam todo sentido e pareciam que tinham sido criados para esse cenário.
Refeitos da contemplação, era preciso que nós retomássemos a caminhada. Parece que todo cansaço se concentrou na hora em que decidimos regressar. Andar tudo aquilo de novo em sentido contrário? Parecia impossível. Não havia mais uma cachoeira para avistar no fim da jornada, qual seria então o objetivo do retorno?
Muitos. De cara cito um, dividir essa história. Mas havia um ainda maior, retomar a minha vida, com direito a scarpin de bico fino e tudo! Pois sei que nela sempre vai haver algo que valha a pena descobrir.
Decidimos voltar por um novo caminho. Já na estradinha velha, após a trilha, o meu tênis escorregava como se estivesse ensaboado. Foi então que veio mais uma lição. Quanto mais eu andava cheia de pose, pisando firme, mais escorregava... O nosso guia então falou para eu ir apoiando primeiro o calcanhar e depois o resto do pé. Então respondi: “Igual a palhaço?” Ele aquiesceu. Aceitei a dica e fui andando rindo, jogando o pé e apoiando o impacto da passada no calcanhar. Percebi que às vezes quando parecemos bobos é que estamos sendo mais espertos...
Ao chegarmos à Vila fomos então comer um crepe para celebrarmos o sucesso da caminhada. As paredes formavam uma grande galeria de fotos com os nomes em baixo, como costumamos ver nos salões nobres das Cortes, das Câmaras... Em baixo pude ler: Carequinha, Arrelia, Piolim... Todos imortais do riso. Então o nosso guia se revelou, ele também era um palhaço e de alguma forma eu já conseguira perceber isso naquelas passadas desajeitadas.
Paranapiacaba mostrou-se para mim um passeio cheio de descobertas, aprendizados e revelações. Tudo em meio a trilhas e trilhos.
PS – Esse post é dedicado aos amigos que participaram da jornada, Léa, Rodrigo e Dana, bem como ao nosso guia Pedro da EcoDreams.



Hora: 11:34 PM
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Sexta-feira, Junho 29, 2007
“Eu quero sentir a noite,
Eu quero olhar as luzes” (Ana Carolina)
É sopa no mel encararmos a metrópole quando estamos em boa companhia. É por isso que na quarta-feira resolvemos, literalmente, encarar a metrópole tomando sopa. Isso mesmo! Fomos ao Terraço Itália experimentar o seu Festival de Sopas enquanto a metrópoles se exibia para nós em todas as suas luzes.
Foi incrível. Estávamos eu e Monique representando a Bahia, Léa como anfitriã Paulistana e Dana, da distante Eslováquia, trazendo um toque europeu pro nosso encontro.
A vista é realmente deslumbrante. Era um mar de cidade que se espalhava a perder de vista. A pergunta da Dana foi a melhor: where is the forest behind the city? Não há, pra onde quer que a gente olhe é cidade, cidade e mais cidade. E vendo assim de cima, parecia tão inofensiva... Quase um presépio.
Realmente foi um programa delicioso. Em todos os sentidos. Visão, paladar e audição, sobremaneira. Aliás, já disse isso a elas, mas agora falo de público, essas gurias que estavam comigo fazem parte, com louvor, do seleto grupo que tornou São Paulo melhor pra mim. Então, nada melhor do que ver a melhor vista da cidade junto com elas. Adorei. E quer saber de uma coisa? O Festival vai até o final de agosto e é uma ótima pedida, melhor do que ficar em casa dando sopa...


Hora: 8:25 AM
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Sábado, Junho 23, 2007
Li o Guarani quando estava no 1º ou 2º ano colegial (para os neófitos, ensino médio), lá nos idos de 1992 ou 1993... Lembro que achei a Ceci uma chata e o Peri um bobo alegre. Aquele romance ufanista, impregnado da teoria do "bom selvagem" de Rousseau, não me comoveu. Torci mesmo para que o dilúvio tragasse de uma vez aqueles dois. Afinal, era eu que já estava pra me afogar no mel pegajoso que escorria deles. Em suma, não sentia a menor empatia pelo casal.
Na verdade, a personagem com a qual eu me identifiquei foi a Isabel, irmã bastarda de Ceci que era criada como prima: "seus olhos grandes e negros, o rosto moreno e rosado, cabelos pretos, lábios desdenhosos, sorriso provocador". Ela sim parecia real, Ceci era uma etérea boneca de louça, bem ao gosto dos românticos da época.
Passados uns quinze anos, tive agora o prazer de um reencontro com a obra "O Guarani". Não que tenha relido o livro, após baixá-lo na internet num desses sites de domínio público. Dessa vez o Guarani chegou a mim pelas mãos de Carlos Gomes e não de José de Alencar.
Fui ontem num show montado pela GOL em comemoração aos 400 anos da ópera original. Só o site já é uma obra prima e vale muito a visita.
Achei o projeto genial, mandei um e-mail pra Léa pra saber se ela se animava em ir e ela topou no ato. Saímos direto do trabalho para o espetáculo. Já na entrada, tivemos uma agradável surpresa, enquanto parávamos para adquirir os convites, um casal falou que não precisávamos comprar e nos deram cortesias. Quando a coisa é pra dar certo é assim, combinada de última hora e ainda sai "na faixa".
A montagem é um escândalo. Fizeram uma ópera eletrônica. O risco de um projeto desses cair no "modernoso" é altíssimo, mas eles acertaram o tom e foi uma apresentação absolutamente moderna. O conceito todo do evento foi fantástico, um DJ fazendo um aquecimento (que demorou tanto que acabou virando "aquecimento global", única falha do espetáculo). Depois veio a ópera e por fim um balada comandada pelo DJ Maumau.
Quando as cortinas se abriram, vimos uma explosão de luzes. Vários telões e o uso de diversas mídias diferentes. Era a mistura do canto lírico com que há de mais atual na cena eletrônica.
A linguagem era videoclíptica, tudo muito rápido, entrecortado. Diversas tendências: street dance, grafite, vídeo-game...Tudo apareceu misturado, formando um caleidoscópio hipnotizador.
Os figurinos também estavam maravilhosos. Enfim, finalmente assisti a um espetáculo que me fez sentir-me nos anos 2000. O futurou chegou. Sem esquecer do passado, o que é ainda melhor.

Hora: 10:05 AM
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